Berço da Cidadania apresenta balanço do projeto Cuidando de Quem Cuida

O Instituto Berço da Cidadania (IBC) apresentou, na última quinta-feira (19), um balanço do projeto Cuidando de Quem Cuida. Com apoio da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), a iniciativa promoveu, durante o ano de 2011, a capacitação de cuidadoras de seis entidades de acolhimento do Distrito Federal, dentro de uma perspectiva de valorização e preocupação com essas profissionais.

A apresentação ocorreu durante o seminário “Cuidando de Quem Cuida”, no auditório Parla Mundi da LBV. Participaram do evento cuidadoras e diretores de entidades de acolhimento, representantes dos Conselhos Tutelares, do Ministério Público e da Secretaria de Desenvolvimento e Transferência de Renda do Distrito Federal (Sedest).

Iniciando as reflexões sobre o Cuidando de Quem Cuida, a presidenta do Berço, a psicóloga Dirce França, ressaltou a importância do foco do projeto. “Não é possível garantir qualidade de atendimento se não cuidarmos da qualidade da relação do profissional que lida com a criança diariamente.” Para a psicóloga, além da perspectiva de capacitação, o projeto chamou atenção para a necessidade de investimento em aspectos psíquicos e emocionais das trabalhadoras.

Em reuniões quinzenais, as psicólogas do Cuidando de Quem Cuida trabalharam com as cuidadoras questões como o papel da educadora, a prevenção de acidentes, os cuidados especiais na chegada de uma criança à entidade e as similaridades e diferenças com relação à mãe biológica.

Nos 20 encontros realizados em cada instituição também foi possível abordar temas como o passado da cuidadora e sua atuação profissional no presente, noções básicas sobre desenvolvimento infantil e a importância de rituais de despedida. A metodologia aplicada nesses encontros incluiu a utilização de vídeos e a realização de dinâmicas, oficinas e rodas de conversa.

A cuidadora Nilda Pereira Valverde, do Larzinho Chico Xavier, marcou presença no balanço do Cuidando e falou de um dos momentos marcantes do projeto para ela: “Numa dinâmica, a psicóloga pediu para a gente fazer as coisas de olho fechado por um tempo e falarmos sobre o que sentíamos. Isso me ajudou a perceber o que as crianças sentem quando chegam na instituição, foi uma das coisas que mais me marcou.”

Necessidades e proposições
Ao final do projeto, a equipe técnica do Cuidando de Quem Cuida pode levantar as principais dificuldades encontradas pela cuidadoras em sua rotina de trabalho. A elevada exigência emocional da atividade foi um dos pontos identificados.

Outra situação delicada encarada pelas profissionais é o dilema a respeito dos próprios filhos. Muitas mulheres precisam decidir se deixam suas crianças em casa, aos cuidados de outra pessoa, ou se as levam para as entidades. “As duas opções são difíceis. Essas mulheres enfrentam um verdadeiro dilema”, ressaltou a presidente do IBC. Os baixos salários e a dedicação integral foram outras questões apontadas como pontos negativos no trabalho das cuidadoras.

Das dinâmicas com as profissionais foi possível retirar, ao lado dos desafios, proposições para a melhoria dos serviços, tais como diálogo mais frequente e aberto com a direção da entidade, valorização do trabalho da cuidadora, melhoria salarial, acompanhamento continuado para as cuidadoras e redução da carga horária.

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